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O Egito pós-Mubarak

Cláudio César Dutra de Souza e Sílvia Ferabolli

Jornal Zero Hora, Caderno Cultura, p. 6 – 05 de março de 2011

No dia 11 de fevereiro de 2011, a população egípcia aparentemente atingiu seu objetivo após 17 dias de intensas manifestações por todo o país, com a renúncia do presidente/ditador Hosni Mubarak. A partir da insurreição popular na Tunísia, que pôs fim aos 23 anos de governo do presidente Zine El Abidine Ben Ali, foi quebrada a barreira do medo que impedia as populações do mundo árabe de saírem às ruas, revelando seu descontentamento com os governos corruptos, repressivos e alinhados a um Ocidente que sustenta democracias de fachada na região em defesa de seus próprios interesses.
Passada a alegria com o dia histórico da renúncia de Mubarak, a transição democrática ainda é uma incógnita. Apesar de ter deixado o Egito à beira da penúria econômica, com um sistema político repressivo e violento, Mubarak era uma aliado estratégico dos Estados Unidos e de Israel que temem, mais do que nunca, um desequilíbrio político na região que conduza a ascenção de fundamentalistas anti-ocidentais. Leia Mais…

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Para além do fundamentalismo islâmico: o Egito pós-Mubarak

Cláudio César Dutra de Souza e Sílvia Ferabolli

Boletim Mundorama, 03 de fevereiro de 2011

Certas configurações políticas, de tão cristalizadas, parecem ser eternas, provocando uma espécie de acomodação, até mesmo uma preguiça intelectual para confrontá-las em suas debilidades e contradições. Esse raciocínio se confirma ao nos darmos conta da precariedade dos regimes no mundo árabe, sustentados por aparatos militares que, se lhes conferem uma aparência externa de força, também revelam a fraqueza de suas institutições e a debilidade das relações entre Estado e sociedade.
A partir da insurreição popular na Tunísia, que pôs fim aos 23 anos de governo do Presidente Zine El Abidine Ben Ali, a barreira do medo foi quebrada e a população saiu às ruas em diversas capitais árabes, em demonstrações que revelaram o descontentamento com seus governos corruptos, repressivos e alinhados a um Ocidente que sustenta democracias de fachada na região em defesa de seus próprios interesses. Leia Mais…

Israel e a diplomacia da irracionalidade

Cláudio César Dutra de Souza e Silvia Ferabolli

Boletim Mundorama, N. 34, 13 de junho de 2010

O ataque israelense contra a “frota da liberdade”, liderada pela Turquia, com o intuito de furar o bloqueio imposto há mais de três anos por Israel à Faixa de Gaza, teve um saldo provisório de nove mortos e pelo menos trinta feridos e vem provocando um inédito consenso entre os analistas internacionais – unânimes em destacar a ilegitimidade e a desproporção da ação israelense. Em toda a imprensa européia, raras vozes ousaram justificar o que foi batizado ironicamente pelo articulista do jornal britânico The Independent, Donald MacIntyre, de Israel’s gunboat diplomacy.  Relatos de passageiros do Mavi Marmara dão conta de execuções à queima roupa, espancamentos e humilhações contra os ativistas por parte da armada israelense, naquilo que a totalidade da imprensa francesa não hesitou em chamar de carnage. Leia Mais…

Últimas publicações

  

Relações Internacionais do Mundo Árabe – Os Desafios para a Realização da Utopia Pan-ArabistaColeção Relações Internacionais. Silvia Ferabolli. Ano: 2009 (178 páginas).

I – O CAMINHO DA INDEPENDÊNCIA E DA UNIDADE (1954-1973)• A Guerra Fria Árabe• Nacionalismo Petrolífero X Multinacionais do Petróleo• A Hegemonia Egípcia• Ascensão e Queda do Arabismo• O Mercado Comum Árabe• Pan-Arabismo e Integração: Síntese do Período 1954-1973

II – A GEOPOLÍTICA DO PETRÓLEO (1973-1990)• A Entrada Definitiva dos Estados Unidos na Região• A Crise do Petróleo e o Aprofundamento da Dependência Externa Árabe• A Primazia dos Petropoderes• Camp David e a Fragmentação da Política Árabe• A Opção pelos Acordos Econômicos Sub-Regionais• Petróleo e Integração: Síntese do Período 1973-1990

III – ARABISMO, PETRÓLEO E A NOVA ORDEM MUNDIAL (PÓS-1990)• A Imposição do Sistema Oriente Médio• Petróleo, Poder e Oriente Médio• Saddam Hussein: A Liderança Negada• Guerra do Golfo: O Fim do Sistema Árabe de Estados?• GAFTA X AAEMs• Ingerência Externa e Integração: Síntese do Período Pós-1990 

Estados Unidos: política externa e atuação na política internacional contemporânea.
Eugenio Diniz (organizador).  Ano: 2009 (544 páginas).

Este livro permitirá aos estudantes de graduação e pós-graduação em Relações Internacionais, bem como ao público interessado, um contato mais aprofundado com alguns temas da atuação internacional dos EUA, seus fundamentos históricos e seus processos de decisão. Ver FERABOLLI, Silvia. Yom Kippur, Cam David e a entrada definitiva dos Estados Unidos no Mundo Arabe via triangulação Riad-Cairo-Washington (pp. 521-537)

O mundo pós-americano

Silvia Ferabolli e Cláudio César Dutra de Souza

Le Monde Diplomatique, outubro de 2008 (ver tambem Ferabolli e Souza “O mundo pós-Estados Unidos”, Jornal Zero Hora, Caderno Cultura, 21 de junho de 2008).

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Finalmente, o establishment intelectual norte-americano rendeu-se à realidade! Depois de quase duas décadas de um debate interminável sobre os contornos do mundo pós-Guerra Fria – hegemonia norte-americana ou multipolaridade -, intelectuais de peso do país decidiram que a era em que vivemos já tem um nome definido: o mundo pós-americano.

Na última edição da Foreign Affairs, a mais importante e mais lida revista de política internacional do mundo, o artigo-destaque é o de Fareed Zakaria, editor da Newsweek Internacional e autor do mais comentado livro do momento, The post-american world (W.W. Norton, 2008). Zakaria aborda o mesmo tema desenvolvido em seu último livro, que pode ser resumido da seguinte forma: a ascensão de poderes como Brasil, Rússia, Índia e China no cenário internacional irá, necessariamente, abalar a proeminência político-econômica norte-americana. Contudo, afirma o autor, isso não deve ser motivo para preocupações exageradas em Washington. O país ainda tem condições de manter os newcomers sob sua liderança por meio de políticas de engajamento nas instituições criadas no pós-guerra, como a ONU e a OMC (antigo GATT). Elas foram responsáveis pela estabilidade política e econômica que o mundo assistiu nas últimas décadas e que possibilitou a ascensão de novas potências emergentes. Leia Mais…

Os desafios para a realização da utopia pan-arabista

Silvia Ferabolli

Contexto Internacional, janeiro de 2007

Desde a formação do Sistema Árabe de Estados, na esteira do processo de descolonização, a retórica nacionalista árabe tem sido o pano de fundo sobre o qual as relações políticas intra-árabes se desenvolveram.1 A crença básica que subjaz ao discurso pan-arabista é a de que todos os árabes, como uma comunidade imaginada, compartilhariam a mesma língua, cultura e história, e que, por isso, deveriam unir-se em um único Estado-nação, sob um governo central, formando a tão sonhada “Grande Nação Árabe”. Contudo, as relações entre os Estados que formam aquilo que se denomina “Mundo Árabe” sempre estiveram muito aquém da unidade, tendo se caracterizado mais pela desintegração. Leia Mais…

Implicações da Militância Islâmica Iraniana para o Mundo Árabe

Silvia Ferabolli

Meridiano 47, março de 2006

Desde a sua revolução islâmica, em 1979, o Irã tem interferido fortemente nas dinâmicas do Sistema Árabe de Estados, não tanto pela força de seu poderio bélico, mas principalmente pela destreza com que o país dos aiatolás manipula o discurso da defesa do islã como arma contra o ocidente.  Militarmente, o Irã demonstrou, no imediato pós-1979 (Primeira Guerra do Golfo 1980-1988), que sua máquina de guerra era forte o bastante para conter o avanço do mais militarizado dos países árabes, o Iraque.

Retoricamente, Revolução Iraniana colocou em xeque as credenciais islâmicas da Arábia Saudita e, por conseqüência, das demais monarquias do Golfo, ao expor os “ultrajantes” laços desses Estados com o Ocidente, particularmente com os Estados Unidos. O pilar antigo e indispensável da legitimidade das petromonarquias, a defesa do islã, começou a tremer frente ao discurso do novo regime revolucionário iraniano, que logo tornou público seu desejo de exportar a revolução islâmica pelos países vizinhos e, quiçá, para o resto do mundo. O nascimento do Conselho de Cooperação do Golfo (CCG), em 1981, deve ser entendido como uma resposta das petromonarquias à pressão do Irã, e o sucesso atingido por esse processo integrativo tem, cada vez mais, isolado esses países do restante do Mundo Árabe. Leia Mais…