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A França face ao terror: novos desafios, velhas soluções.

frança

Cláudio Cesar Dutra de Souza

Inédito

O ano de 2015 está sendo dramático para a França, exigindo de seu Presidente, François Hollande, atitudes a altura dos desafios que vem enfrentando. Em 07 de janeiro o “massacre do Charlie Hebdo” traumatizou a França e o mundo. Na sexta feira 13 de novembro, os ataques orquestrados na capital francesa e arredores, supostamente perpetrados pelo ISIS, reavivaram o trauma de uma população cada vez mais amedrontada com uma violência que se reeditou de forma ainda mais drástica. Tal situação, se não for combatida de forma correta, pode representar o início do fim de um Presidente que consegue ser (ainda) mais fraco e confuso que o seu antecessor, Nicolas Sarkozy. Leia Mais…

Por uma gramática da pink tide latino-americana

Cláudio César Dutra de Souza

(2nd draft)

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O presente ensaio objetiva apresentar o fenômeno da Pink Tide latino-americana, criando as bases para uma futura comparação entre esta e a Arab Spring. Pink Tide eh a expressão utilizada para descrever o fenômeno iniciado com a eleição de Hugo Chávez na Venezuela em 1998 e a ascensão de Lula a presidência brasileira em 2002 e que, distante do tradicional modelo revolucionário imortalizado por Che Guevara e Fidel Castro, refere-se à tomada de poder pela via democrática por políticos oriundos de partidos e movimentos de esquerda.

Este ensaio foi dividido em cinco partes. Na primeira seção, serão apresentados os conceitos de paradigma ordenador e instaurador, discutindo a questão revolucionária atrelada a uma violência inevitável como ocorrido nas grandes narrativas revolucionárias do século XX. Na seção seguinte, falaremos sobre o velho paradigma revolucionário latino-americano, ditaduras militares e os grupos armados de esquerda atuantes no continente nesse período. Já na terceira seção, tentaremos explicar, tomando o Brasil como exemplo, certos mecanismos inerentes aos governos militares e a transformação de Lula em um líder sindical e futuro Presidente do Brasil. Na quarta seção, efetuar-se-á um brevíssimo resumo das teorias da terceira via que buscavam um ponto intermediário entre o capitalismo e o socialismo. Finalmente, na ultima seção, faremos uma reflexão critica sobre as conquistas da Pink Tide e apontaremos caminhos para possíveis comparações entre a “onda cor-de-rosa” e a “primavera árabe”. Leia Mais…

Entre a revolução e o consenso: os rumos da Primavera Árabe

Sílvia Ferabolli

Revista Ciências & Letras, Porto Alegre, n. 51, p. 101-109, jan./jun. 2012

O início repentino e a concatenação dos levantes políticos que se convencionou chamar de “Primavera Árabe” tiveram apenas três precedentes históricos: as guerras de libertação das colônias hispano-americanas da primeira metade do século XVIII, as revoluções europeias de 1848-9 e a queda dos regimes no bloco soviético – 1989-91 (Perry Anderson, 2011). Além do efeito dominó característico desses eventos, o uso do termo “primavera” se relaciona com os ocorridos em 1968, quando Alexander Dubček, primeiro secretário do partido comunista da antiga Tchecoslováquia, tentou promover reformas a fim de descentralizar a economia e permitir maiores liberdades individuais. A iniciativa de Dubček, apoiada tanto por intelectuais locais como pela população, foi uma tentativa racional de flexibilizar e modernizar a gigantesca máquina burocrática e opressiva que havia se tornado o Estado sob o jugo soviético.  Naquela que ficou conhecida como “Primavera de Praga” – ou espírito de 1968 –  estudantes e o povo em geral viveram uma euforia utópica que acabou poucos meses depois com a invasão militar pelas forças do pacto de Varsóvia,  as quais restituíram a antiga ordem.   Leia Mais…

As prévias do Partido Socialista na França anunciam a campanha eleitoral de 2012

Cláudio César Dutra de Souza

Boletim Mundorama,  05 de outubro de 2011

As eleições para o senado francês, no dia 25 de setembro, foram um forte indicativo da disposição de voto do eleitorado francês para a campanha presidencial de 2012. Ao conquistarem 177, de um total de 348 cadeiras, do Palácio de Luxemburgo, aliado ao favoritismo que se mantém intacto nas últimas pesquisas eleitorais, os socialistas já vivem a certeza de que Nicolas Sarkozy irá para casa mais cedo no próximo ano.

O “presidente das reformas”, o “homem que prometeu sacudir a França”, entre outras promessas, se encontra isolado dentro de seu próprio partido e enfraquecido perante a opinião pública. Todas essas convergências fazem com que as prévias do Partido Socialista (PS), que irão ocorrer em dois turnos nos dias 09 e 16 de outubro, sejam um evento político de grande importância e que irá revelar, muito provavelmente, o nome do próximo ocupante do Palais de l’Elysée. Leia Mais…

Sarkozy e La ronde infinie des obstinés

 Cláudio César Dutra de Souza 

Boletim Mundorama, 22 de setembro de 2010 

Ao assumir a presidência em maio de 2007, Nicolas Sarkozy assim prometia: “La réforme de l’État, enfin, doit sortir des sujets de colloques, pour se traduire par des décisions”;“La réforme de l’État, je l’ai promise et je la ferai”. Entretanto, passados três anos de seu mandato, a sua disposição em levar adiante o projeto de reformas de Estado, bem como a sua popularidade, vem diminuindo consideravelmente face a forte resistência oriunda de uma oposição que sequer cogita discutir qualquer medida nesse sentido. O título desse artigo faz menção a uma forma inusitada de protesto contra as propostas de reforma universitária na França, anunciadas já nos primeiros meses do governo Sarkozy pela ministra do ensino superior e pesquisa, Valerie Pécresse. Leia Mais…

Dom João VI, o AI-5 e a Resistência

Cláudio César Dutra de Souza e Silvia Ferabolli

Le Monde Diplomatique, fevereiro de 2008

O ano de 2008 é particularmente significativo para o Brasil. Comemoramos 200 anos da fuga da família real portuguesa à colônia, na companhia de 10 mil cidadãos influentes na corte. Também faz aniversário o AI-5 — Ato Institucional nº 5 —, que instituiu, em 1968, o que Elio Gaspari chama de “A Ditadura Escancarada”.

Ao transferir a corte portuguesa para o Brasil, Dom João VI efetivamente inventou um país. Até 1808, o Brasil não passava de uma colônia extrativista, que sustentava uma monarquia atrasada e absolutista, com os dias contados na esteira das grandes modificações iniciadas com a Revolução Francesa de 1789 e as guerras napoleônicas, que reescreveram o mapa de poder na Europa. Quando retornou a Portugal, em 1821, deixando o seu primogênito, D. Pedro I, como príncipe regente, o panorama do país havia mudado radicalmente. Era o nascimento efetivo de uma proto-nação, cujo desenvolvimento posterior já nos é bem conhecido. Leia Mais…

A díade esquerda/direita ainda sobrevive?

Cláudio César Dutra de Souza e Silvia Ferabolli

Le Monde Diplomatique, novembro de 2007 (publicado com o título “Por que ainda somos diferentes?”)

Existem duas obras paradigmáticas à reflexão sobre a díade esquerda-direita, ambas publicadas em 1994: Direita e esquerda — razões e significados de uma distinção política, de Norberto Bobbio e Para além da esquerda e da direita, de Anthony Giddens. Os dois autores, cada qual à sua maneira, buscavam refletir sobre os rumos a serem tomados pelos órfãos do socialismo que, no imediato pós-Guerra Fria, estavam epistemologicamente enlutados pelo que percebiam ser o fim de suas utopias mais caras, ainda sob o impacto do mundialmente famoso artigo de Francis Fukuyama – “O fim da história e o último homem”, de 1992. Bobbio defendia a legitimidade da díade esquerda-direita para analisar e entender o cenário político atual. Já Giddens acreditava que o mundo mudou radicalmente e que, por isso, os conceitos de esquerda e direita são anacrônicos. Fukuyama, por fim, dizia acreditar que a humanidade chegara ao seu estágio máximo de evolução com a universalização da democracia liberal ocidental. Leia Mais…