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Por uma gramática da pink tide latino-americana

Cláudio César Dutra de Souza

(2nd draft)

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O presente ensaio objetiva apresentar o fenômeno da Pink Tide latino-americana, criando as bases para uma futura comparação entre esta e a Arab Spring. Pink Tide eh a expressão utilizada para descrever o fenômeno iniciado com a eleição de Hugo Chávez na Venezuela em 1998 e a ascensão de Lula a presidência brasileira em 2002 e que, distante do tradicional modelo revolucionário imortalizado por Che Guevara e Fidel Castro, refere-se à tomada de poder pela via democrática por políticos oriundos de partidos e movimentos de esquerda.

Este ensaio foi dividido em cinco partes. Na primeira seção, serão apresentados os conceitos de paradigma ordenador e instaurador, discutindo a questão revolucionária atrelada a uma violência inevitável como ocorrido nas grandes narrativas revolucionárias do século XX. Na seção seguinte, falaremos sobre o velho paradigma revolucionário latino-americano, ditaduras militares e os grupos armados de esquerda atuantes no continente nesse período. Já na terceira seção, tentaremos explicar, tomando o Brasil como exemplo, certos mecanismos inerentes aos governos militares e a transformação de Lula em um líder sindical e futuro Presidente do Brasil. Na quarta seção, efetuar-se-á um brevíssimo resumo das teorias da terceira via que buscavam um ponto intermediário entre o capitalismo e o socialismo. Finalmente, na ultima seção, faremos uma reflexão critica sobre as conquistas da Pink Tide e apontaremos caminhos para possíveis comparações entre a “onda cor-de-rosa” e a “primavera árabe”. Leia Mais…

Nelson Rodrigues- o centenário de um jornalista

Cláudio César Dutra de Souza

Inédito

nelson rodriguesNelson Rodrigues foi sem dúvida um dos mais criativo e polêmico dramaturgo que o Brasil já conheceu. Em 1943, sua peça “Vestida de Noiva”, com a direção de Ziembinski inaugurou o moderno teatro brasileiro. Posteriormente, Nelson produziu várias outras peças, tais como “Álbum de Família, “O Beijo no Asfalto”, “Engraçadinha”, entre outros, cujas montagens sofreram forte censura de todos os governos que ele conheceu, desde o Estado novo até a ditadura militar. Incestos, traições, homossexualismo, racismo, enfim, a polêmica sempre foi a marca das obras de Nelson Rodrigues. Se os  textos teatrais de Nelson já são suficientemente conhecidos, o mesmo não podemos dizer de sua produção jornalística enquanto cronista, que legou muitas de suas famosas frases e sedimentou a sua fama nos anos 60/70 como um dos grandes críticos culturais desse período histórico. Leia Mais…

O joelho de Claire flexiona o desejo

Cláudio César Dutra de Souza

Inédito

  O filme “Le Genou de Claire”, de Eric Rohmer, foi exibido pela primeira vez em 1970, na França. Jerome (Jean-Claude Brialy) é um diplomata que passa suas últimas férias de solteiro às margens do lago Annecy. Lá ele reencontra Aurora (Aurora Cornu), uma escritora italiana que é sua amiga e que alugou um quarto na casa de uma senhora e suas duas filhas, Laura (Béatrice Romand) e Claire (Laurence de Monaghan). Logo Aurora o avisa que Laura está interessada nele, incentivando-o a ter um último namoro antes do casamento. Entretanto Jerome está interessado em Claire, tendo um desejo obsessivo em acariciar seu joelho.Aos que não viram o filme, essa sinopse bem poderia se adequar a uma série de clichês que Rohmer tinha nas mãos naquela época. A década de 70 e suas rupturas comportamentais. A França em plena ebulição pós maio de 68. Um romance com toques fetichistas entre uma adolescente e um homem já passado dos trinta anos. Um triângulo amoroso com toques incestuosos. Leia Mais…

Amartya Sen e o “humano” como índice de desenvolvimento

Cláudio César Dutra de Souza

Inédito

Para introduzir o complexo pensamento do economista indiano Amartya Sen, vale mencionar a crítica de Richard Reeves, professor na Universidade de Southern California, sobre seu último livro, The Idea of Justice (2009). Segundo Reeves, o domínio de diferentes áreas do conhecimento seria coisa do passado visto que os acadêmicos de hoje são estimulados a perseguir a hiper-especialização até o esgotamento total de um assunto. Esse tipo de pensamento compartimentado pode produzir teorias tão exatas quanto reducionistas e que carecem, em sua base, de uma reflexão mais subjetiva acerca dos fenômenos estudados. Amartya Sen, laureado com o prêmio Nobel de Economia em 2008 e professor titular no Departamento de Economia da Universidade de Harvard, transita pelas áreas da filosofia, sociologia e psicologia – além da economia – utilizando-as como ferramentas de análise em questões ligadas a justiça, a desigualdade e o desenvolvimento.   Leia Mais…

Um Mundo Pós-AIDS?

Cláudio César Dutra de Souza

Jornal Zero Hora, Caderno Cultura, p. 3 – 01 de outubro de 2011.

Em junho de 2011 chegamos ao trigésimo aniversário de uma doença que modificou definitivamente nossos valores e percepções sobre relacionamentos e a sexualidade.  A Acquired Imune Deficiency Syndrome (AIDS) nasce, oficialmente, em 05 de junho de 1981, nos Estados Unidos, quando o Centro Americano para a Prevenção e Controle de Doenças registrou um estranho surto de pneumonia em Los Angeles. Nesse mesmo período, várias ocorrências de um raro tipo de câncer chamado Sarcoma de Kaposi aconteceram em São Francisco, levando os estudiosos a concluírem que algo de muito estranho e sério estava ocorrendo. A Sigla AIDS só foi oficializada em 1982, sendo que em seu início a doença era conhecida como Gay-Related Immune Deficiency (GRID), já que o primeiro grupo a ser afetado pela nova doença eram os homossexuais masculinos norte-americanos. Naquela época, de acordo com o filósofo e ativista francês Daniel Denfert, existia uma sigla pouco conhecida através da qual os pacientes com AIDS eram referidos nos corredores dos hospitais: WOG – Wrath of God, ou seja, “A Ira de Deus”. Nos idos de 1980, um paciente soropositivo carregava, de fato, uma sentença de morte em curto prazo. Leia Mais…

England Riots – uma anarquia sem sentido?

Cláudio César Dutra de Souza

Inédito

A situação de caos que tomou conta da Inglaterra, desde sábado passado, teve o seu início com a morte de Mark Duggan, ocorrida no distrito de Tottenham, norte de Londres. O que deveria se caracterizar como um protesto contra a violência policial acabou se transformando em uma onda de violência sem precedentes desde as grandes manifestações da era Thatcher. Distúrbios ocorreram em diversos bairros londrinos, desde os mais populares até o elegante bairro de Nothing Hill. Em poucos dias a situação se alastrou para outras cidades da Inglaterra, tais como Croydon, Liverpool e Birmingham. As cenas exaustivamente mostradas pela BBC mostravam um cenário semelhante de vandalismo e destruição ante a uma população amedrontada e policiais perplexos. Todos ainda se perguntam, afinal, o que querem esses jovens? Teriam eles uma causa ou seriam apenas bandidos comuns ou oportunistas? Leia Mais…

Ana de Hollanda é uma estrutura

Cláudio César Dutra de Souza

Inédito

A situação da ministra da cultura, Ana de Hollanda é uma eterna incógnita. Sua gestão, recém-iniciada, já sofre críticas da oposição, como seria de se esperar, mas principalmente da classe artística e de setores de seu próprio partido. Diversas vezes a presidente Dilma Rousseff foi obrigada a declarar publicamente o seu apoio a uma enfraquecida e confusa Ministra, incapaz de lidar com os espinhos e sutilezas do poder.  Filha de Sérgio Buarque de Hollanda, irmã de Chico e Miucha, tia de Bebel, a presença de Ana de Hollanda a frente do Ministério da Cultura parece ser uma jogada de conveniência do governo, um tributo a um grupo que, desde os anos 60 representa certa elite cultural brasileira cujos padrões de bom gosto retroalimentam as aspirações ufanistas/intelectuais do ouvinte médio. Ana de Hollanda, mais do que uma ministra inexpressiva, é uma estrutura. Leia Mais…