Archive | maio 2011

Barry Buzan e o Globalismo Descentralizado

Silvia Ferabolli

Boletim Mundorama, 18 de maio de 2011

O globalismo descentralizado de Barry Buzan define um mundo que opera dentro de uma lógica de poder mais distribuído e menos concentrado, onde as regiões  terão mais autonomia para trilhar seus próprios caminhos. A posição que os Estados Unidos ainda mantêm é frágil e é bastante plausível argumentar que eles estão perdendo a capacidade de continuar liderando o sistema – e que ninguém ocupará o seu lugar porque a era dos super-poderes simplesmente acabou (ver A World Without Superpowers: de-centered globalism. LSE IDEAS and International Relations Department public lecture).

Para que se possa discutir o significado de um mundo de globalismo decentralizado cuja principal característicaé a inexistência de super-poderes faz-se necessário definir, primeiramente, o significado de “super-poder”. É importante ressaltar que existe uma diferença significativa entre super-power egreat-power. No primeiro caso, o poder se espalha através do globo e existe a capacidade de operar globalmente e, inclusive, de dominar o sistema. Um super-poder é aquele que desempenha – ou pode desempenhar – um papel hegemônico no sistema. No segundo, existe a influência em mais de uma região do mundo, como no caso da União Europeia, por exemplo, mas não existe capacidade de hegemonia sistêmica. Leia Mais…

Foucault – O Irã e as Surpresas do Filósofo

Cláudio César Dutra de Soluza

Jornal Zero Hora, Caderno Cultura, p. 4-5 – 14 de maio de 2011

Em 1978, quando os protestos de rua contra o governo do Xá Reza Pahlavi, no Irã, estavam atingindo um ponto crítico, o filósofo Michel Foucault foi convidado a viajar várias vezes ao país como correspondente do jornal italiano Corriere de la Serra, da revista francesa Le Nouvel Observateur e do jornal francês Le Monde, dando início a uma improvável – mas intensamente verdadeira e contraditória – relação entre o pensamento de um dos maiores filósofos do século XX, que analisou como nenhum outro as relações de poder-saber que se constituíram a partir da modernidade, com os ditames de um religioso asceta encarnado na figura de Aiatolá Khomeini.

Nessa inédita atuação enquanto jornalista, Foucault produziu diversos artigos sobre os eventos que culminaram na ascensão de Khomeini ao poder, nunca escondendo o fascínio acerca do que concebia como o nascimento de uma nova “dimensão espiritual da política”. Para a historiadora Janet Afary e o sociólogo Kevin B. Anderson, autores do livro Foucault e a Revolução Iraniana (Ed É Realizações, 2011) ambos ligados aos estudos feministas, o apoio de Foucault a um regime repressivo e intolerante para com sexualidades ditas desviantes e expressões diversas de liberdade civil, era contraditório em relação ao que ele escrevera antes e que inspirara diversos movimentos sociais libertários em todo o mundo. Leia Mais…