Archive | novembro 2009

O mito da democracia racial frente a política de cotas

200512021018590_racismoCláudio César Dutra de Souza

Inédito

Ao tomarmos como base os múltiplos discursos que vêm sendo proferidos nos últimos meses em relação à contrariedade da aplicação de ações afirmativas no Brasil, particularmente no que se refere à adoção de cotas para negros nas universidades, podemos concluir que nesse país o racismo não existe. A base epistemológica que sustenta essa idéia se encontra apoiada nos mais arraigados mitos aos quais nos servimos para não pensarmos em nós mesmos como artífices e mantenedores de um processo de exclusão histórica da população negra. Um dos mitos mais absurdos, que frequentemente vem à tona direta ou indiretamente, é o da democracia racial. Leia Mais…

Pourquoi nous sommes toujours différents?

Cláudio César Dutra de Souza e Silvia Ferabolli

Autres Brésils, Paris –  fevereiro de 2008

Il existe deux ouvrages de base concernant la réflexion sur le binôme gauche / droite, tous les deux publiés en 1994 : Droite et gauche – raisons et significations d’une différenciation politique, de Norberto Bobbio et Au-delà de la gauche et de la droite, de Anthony Giddens. Ces deux auteurs, chacun à sa manière, essaient de réfléchir sur les orientations à prendre et sur la destinée des orphelins du socialisme. Ceux-ci, tout de suite après la guerre froide, étaient, d’un point de vue épistémologique, en deuil parce qu’ils se rendaient compte que leurs utopies les plus chères s’écroulaient et qu’ils étaient encore sous le coup de ce célèbre article de Francis Fukuyama, La fin de l’histoire et le dernier homme, publié en 1992. Bobbio défendait la légitimité du maintien du binôme gauche / droite pour analyser et comprendre la scène politique actuelle alors que Giddens croyait que le monde avait radicalement changé et qu’en conséquence, les concepts de gauche et de droite étaient devenus anachroniques. Quant à Fukuyama, il pensait que l’humanité, avec l’universalisation de la démocratie libérale occidentale, avait atteint son degré maximum d’évolution. Leia Mais…

Bananas e fuzis: isso é Brasil?

Cláudio César Dutra de Souza e Silvia Ferabolli

Inédito

            Em 1978, Caetano Veloso cantava a seguinte frase: “é que quando eu cheguei por aqui, eu nada entendi”, na música Sampa, como uma homenagem e um pedido de desculpas à cidade de São Paulo, a qual o baiano, quando de sua chegada na década de 1960, havia achado feia e opressora. Também na mesma canção há uma autocrítica em relação a esse sentimento: “é que narciso acha feio o que não é espelho”. O choque frente a uma realidade tão diversa, no caso, a selva de pedra paulista, provoca uma ferida narcísica a um ego que tende a se refugiar naquilo que lhe é reconhecível e palatável, algo que reflita, tal como um espelho, as suas imagens familiares e cognoscíveis. No Brasil contemporâneo, desde o sucesso internacional de Carmem Miranda ao mais visto e comentado filme de nossa história, Tropa de Elite, a inteligentzia nacional se sente profundamente desagradada em seu narcisismo ao perceber o sucesso na mídia, principalmente a internacional, de representações que escapam da sua imagem idealizada de um Brasil que preferiam não tomar conhecimento. Leia Mais…

O mundo pós-americano

Silvia Ferabolli e Cláudio César Dutra de Souza

Le Monde Diplomatique, outubro de 2008 (ver tambem Ferabolli e Souza “O mundo pós-Estados Unidos”, Jornal Zero Hora, Caderno Cultura, 21 de junho de 2008).

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Finalmente, o establishment intelectual norte-americano rendeu-se à realidade! Depois de quase duas décadas de um debate interminável sobre os contornos do mundo pós-Guerra Fria – hegemonia norte-americana ou multipolaridade -, intelectuais de peso do país decidiram que a era em que vivemos já tem um nome definido: o mundo pós-americano.

Na última edição da Foreign Affairs, a mais importante e mais lida revista de política internacional do mundo, o artigo-destaque é o de Fareed Zakaria, editor da Newsweek Internacional e autor do mais comentado livro do momento, The post-american world (W.W. Norton, 2008). Zakaria aborda o mesmo tema desenvolvido em seu último livro, que pode ser resumido da seguinte forma: a ascensão de poderes como Brasil, Rússia, Índia e China no cenário internacional irá, necessariamente, abalar a proeminência político-econômica norte-americana. Contudo, afirma o autor, isso não deve ser motivo para preocupações exageradas em Washington. O país ainda tem condições de manter os newcomers sob sua liderança por meio de políticas de engajamento nas instituições criadas no pós-guerra, como a ONU e a OMC (antigo GATT). Elas foram responsáveis pela estabilidade política e econômica que o mundo assistiu nas últimas décadas e que possibilitou a ascensão de novas potências emergentes. Leia Mais…

Os desafios para a realização da utopia pan-arabista

Silvia Ferabolli

Contexto Internacional, janeiro de 2007

Desde a formação do Sistema Árabe de Estados, na esteira do processo de descolonização, a retórica nacionalista árabe tem sido o pano de fundo sobre o qual as relações políticas intra-árabes se desenvolveram.1 A crença básica que subjaz ao discurso pan-arabista é a de que todos os árabes, como uma comunidade imaginada, compartilhariam a mesma língua, cultura e história, e que, por isso, deveriam unir-se em um único Estado-nação, sob um governo central, formando a tão sonhada “Grande Nação Árabe”. Contudo, as relações entre os Estados que formam aquilo que se denomina “Mundo Árabe” sempre estiveram muito aquém da unidade, tendo se caracterizado mais pela desintegração. Leia Mais…

Implicações da Militância Islâmica Iraniana para o Mundo Árabe

Silvia Ferabolli

Meridiano 47, março de 2006

Desde a sua revolução islâmica, em 1979, o Irã tem interferido fortemente nas dinâmicas do Sistema Árabe de Estados, não tanto pela força de seu poderio bélico, mas principalmente pela destreza com que o país dos aiatolás manipula o discurso da defesa do islã como arma contra o ocidente.  Militarmente, o Irã demonstrou, no imediato pós-1979 (Primeira Guerra do Golfo 1980-1988), que sua máquina de guerra era forte o bastante para conter o avanço do mais militarizado dos países árabes, o Iraque.

Retoricamente, Revolução Iraniana colocou em xeque as credenciais islâmicas da Arábia Saudita e, por conseqüência, das demais monarquias do Golfo, ao expor os “ultrajantes” laços desses Estados com o Ocidente, particularmente com os Estados Unidos. O pilar antigo e indispensável da legitimidade das petromonarquias, a defesa do islã, começou a tremer frente ao discurso do novo regime revolucionário iraniano, que logo tornou público seu desejo de exportar a revolução islâmica pelos países vizinhos e, quiçá, para o resto do mundo. O nascimento do Conselho de Cooperação do Golfo (CCG), em 1981, deve ser entendido como uma resposta das petromonarquias à pressão do Irã, e o sucesso atingido por esse processo integrativo tem, cada vez mais, isolado esses países do restante do Mundo Árabe. Leia Mais…